PROJETO
Desenvolvimento humano e educação
Desenvolvimento Humano e Educação
A sociedade deve ter como objectivo promover o desenvolvimento humano nas suas múltiplas vertentes: social, cultural, politica e económica, para que os povos possam viver num mundo pacifico, livre e socialmente coesa. Naturalmente é necessário garantir o seu bem estar, nas suas múltiplas dimensões e sobretudo que as necessidades básicas do ser humano sejam suprimidas. Ninguém se desenvolve na fome, ou na ausência de casa e abrigo, com menos dificuldade poderá desenvolver-se na falta de amor, de uma família, de amigos, se o seu trabalho for precário também dificilmente poderá atingir uma estabilidade económica que permita o seu desenvolvimento. É necessário pois educar para o desenvolvimento e sobretudo garantir que essa educação está acessível a todos, sem excepção.
Segundo o relatório RDU 2019, "O desenvolvimento humano diz respeito às liberdades humanas: liberdade para realizar todo o potencial de cada vida humana, não apenas de alguns, nem da maioria, mas de todas as vidas em todos as partes do mundo – agora e no futuro."
Ainda no relatório do desenvolvimento humano 2020 "A próxima fronteira O desenvolvimento humano e o Antropoceno", no capítulo 4 "Capacitar as pessoas, desencadear a transformação", verificamos no ponto 4.1 "como a educação pode salvar vidas" e que refere como o "ser humano é afectado pelo contexto em que está inserido mas também pelo seu percurso e a sua história pessoal ao longo da vida que é influenciada". Este conceito vai ao encontro da epigenética, uma área da neurociência que demonstrou que as influências ambientais/ experiências, afetam a expressão dos genes das crianças e dos adultos, isto é a ideia de que os nossos genes não se alteram ao longo da vida e de que "ele é e sempre será assim, é o feitio dele!" é uma ideia ultrapassada.
Verificamos assim que a educação é fundamental para o processo de desenvolvimento da criança, do jovem ou do adulto. É neste contexto que a aprendizagem ao longo da vida surge como um mecanismo para potenciar e desenvolver novos comportamentos quer nas crianças, jovens ou adultos, surgindo como "todas as atividades que permitam ao ser humano, desde a infância até à velhice, adquirir conhecimentos do mundo e si e dos outros", segundo o relatório Delors, 1996.
Nesta perspectiva vamos ao encontro da "educação numa lógica de construção de cidadãos" onde a "construção da cidadania faz-se de mãos dadas com a educação" (Mangas, Sousa, 2022, p.136 ), sendo a educação inclusiva fundamental, promovendo o direito de todos à educação, onde ninguém é excluído e onde todos são importantes, tal como está preconizado na Agenda 2030 dos ODS mais particularmente no 4º objectivo – Educação para todos.
De acordo com a Estratégia Nacional Para o Desenvolvimento ENED, o conceito de educação para o desenvolvimento é compreendido:
"como um processo de aprendizagem ao longo da vida, comprometido com a formação integral das pessoas, o desenvolvimento do pensamento crítico e eticamente informado, e com a participação cidadã. Este processo tem como objetivo último a transformação social no sentido da prevenção e do combate às desigualdades sociais, nomeadamente às desigualdades entre mulheres e homens, do combate à discriminação, da promoção do bem-estar nas suas múltiplas dimensões, da inclusão, da interculturalidade, da justiça social, da sustentabilidade, da solidariedade e da paz, tanto ao nível local como ao nível global" (ENED 2018-2022).
Também o memorando sobre aprendizagem ao longo da vida, refere que o objectivo da ALV vida é, "promover a cidadania activa e fomentar a empregabilidade." A cidadania ativa refere-se à participação das pessoas na esfera da vida social e económica reflectindo-se na construção de uma sociedade onde têm algo a dizer e onde podem e devem ser actores, podendo a aprendizagem ser adquirida por métodos não-formais como é o caso deste projecto.
O desenvolvimento na adultez ocorre em três dimensões: físico, cognitivo e psicossocial.
Em termos de tempo, o período da vida adulta é o mais longo de todas as etapas da vida psicológica. É usual situá-la entre os 20-22 anos e os 65-70 anos, com fases de transição entre elas (Levinson, 1990):
- Vida adulta inicial (20-40), jovem adulto;
- Vida adulta intermédia (44-65), adulto;
- Vida adulta final (65/70+), adultez avançada;
A adultez avançada, segundo Papalaia, contempla os indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos, e que segundo a teoria do ciclo de vida Lif-Span "o desenvolvimento é um processo que ocorre ao longo do ciclo de vida", aplicando-se a máxima "nunca é tarde para aprender". É nesta perspectiva que a promoção do envelhecimento activo é fundamental para promover "o bem-estar físico, social e mental (...) e inclui a participação ativa dos séniores nas questões económicas, culturais, espirituais, cívicas e na definição das políticas sociais" (Jacob, 2008:20), desconstruindo assim a ideia de que "envelhecimento ativo" é fazer com que os idosos corram, ou façam exercício físico. O objetivo deverá ser o de aumentar a expectativa de vida saudável e a qualidade de vida.
Já no jovem adulto a questão da identidade é muito importante, "é a individualidade conferida pelo colectivo social". Assim "identidade é perspectivada como um património cultural que se transmite de geração em geração: identidade intrafamiliar; identidade de género; identidade da família; identidade de linguagem; identidade profissional; identidade religiosa," (…) e é nela que definimos o que é semelhante e os outros; os aliados e os inimigos e é nela e por ela que nos organizamos (Abreu, 2007, p. 182).
Cada indivíduo incarna o seu grupo social, e a própria história. A identidade é uma construção progressiva, porque sofre a influência das ligações que se estabelecem ao longo da vida, tornando-nos mais flexíveis.
Promover projectos onde jovens adultos, adultos e os adultos na adultez avançada participem "num contexto de relações e solidariedades intergeracionais, a inclusão das pessoas idosas no quotidiano e na transmissão de conhecimentos e saberes, estímulos, valores e tradições é uma mais-valia para as gerações mais novas, mas também estas são enriquecedoras nesta relação" (Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável –2017-2025 (p. 30).
Bibliografia
EAEA, Manifesto para a Aprendizagem de Adultos no séc. XXI
de
Trabalho Interministerial, P. D. G. ESTRATÉGIA NACIONAL PARA O ENVELHECIMENTO
ATIVO E SAUDÁVEL.
ENED 2018-2022, https://ened-portugal.pt/site/public/paginas/introducao-pt-2.pdf
Europeia, C. (2000). Memorando sobre aprendizagem ao longo da vida. Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias.
Mangas, C., & Sousa, J. (2022). Educação inclusiva e acessível: Oportunidades e sinergias.
do Desenvolvimento Humano, P. R. (2019). Além do rendimento, além das médias, além do presente: Desigualdades no desenvolvimento humano no século XXI. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
do Desenvolvimento Humano, U. R. (2020). A próxima fronteira O desenvolvimento humano e o Antropoceno, 2020.
Delors, J., Chung, F., Geremek, B., Gorham, W., Kornhauser, A., Manley, M., ... & Nanzhao, Z. (1996). Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Educação um tesouro a descobrir, 6.
Silva, E. R. A. D. C. (2018). Agenda 2030: ODS-Metas nacionais dos objetivos de desenvolvimento sustentável. https://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/8855/1/Agenda_2030_ods_metas_nac_dos_obj_de_desenv_susten_propos_de_adequa.pdf